Denunciantes do caso afirmam que o profissional de Saúde estava aparentemente embriagado no momento em que passou em alta velocidade por uma rua do Centro e quase atingiu diversos adultos, idosos e crianças que se dirigiam à Praça Dom Otávio para acompanharem um show da Festa do Rosário. Além de tentar atropelar os pedestres, o rapaz ainda perdeu o controle do carro que dirigia e colidiu contra outro veículo estacionado na via. Câmeras de segurança registraram o ocorrido
Um caso de extrema irresponsabilidade e falta de consciência foi registrado na Rua José Martins da Silva, no Centro de Turvolândia, na noite do último dia 9 (sábado), quando um médico do município teria passado com um carro em alta velocidade e tentado atropelar pessoas que transitavam pela via. Na ação, ele acabou atingindo um automóvel estacionado. Com a batida, o veículo do profissional de Saúde sofreu uma pane geral e não saiu do lugar. Pessoas que quase foram atingidas pelo autor afirmam que ele estava aparentemente embriagado e consumindo bebidas alcoólicas no momento em que se deram os fatos, além de não possuir CNH (Carteira Nacional de Habilitação). O carro do jovem médico, que atende no Município através do Programa Mais Médicos, do Governo Federal, foi rebocado por um caminhão da cidade pertencente a uma empresa particular.
De acordo com a denunciante, que conversou com a reportagem d’O Douradense e pediu para não ser identificada, por volta das 23h40, ela e diversos familiares, incluindo idosos, adolescentes e crianças, estavam indo para o local da Festa do Rosário, quando foram surpreendidos por um Chevrolet Ônix, em alta velocidade, que quase os atropelou. “A gente estava descendo pela Rua José Martins da Silva sentido à Praça Dom Otávio. Daí, antes de chegarmos numa via que dá acesso à região da Prefeitura, fui fazer um vídeo das meninas e, de repente, apareceu um carro preto, que virou a esquina em alta velocidade e veio pra cima da gente. Havia umas seis crianças, duas idosas, eu e a minha prima. A gente estava bem perto delas. Por sorte, as crianças saíram correndo, umas para um lado da rua, as demais para o outro, e ele continuou em alta velocidade. O carro até relou no meu braço. Daí, a gente começou a gritar. Um pouco mais acima estavam os nossos esposos e o meu pai, que também gritaram. No que a gente se manifestou, o motorista do Ônix não se deu por satisfeito, acho que ficou bravo, fez um retorno muito rápido e, em menos de vinte segundos, veio de novo em nossa direção com o intuito claro de realmente nos atropelar. Quando se aproximou da gente, o motorista, que estava com um copo de bebida na mão, o jogou em uma das pessoas da nossa família. Com isso, ele perdeu o controle da direção e bateu em um carro que estava estacionado na rua, e que não era da nossa família, mas, sim, de algum visitante da cidade. Em seguida, o rapaz tentou sair com o automóvel, mas acho que o mesmo quebrou o eixo, e não foi possível fugir. Depois, o motorista tentou descer do veículo e evadir, mas nossos maridos foram lá e o seguraram, e chamamos a Polícia Militar. Logo em seguida, falamos que teria que esperar a viatura chegar. Foi nessa hora que o tiramos do carro. Ele então colocou as mãos na cabeça, numa clara sensação de desespero, e se apresentou como médico recém-chegado através do Programa Mais Médicos, e que estava há apenas dois meses na cidade, atendendo em um PSF (Programa Saúde da Família)”.
Ainda conforme a delatora, ao comparecer para efetuar os primeiros levantamentos, a PM descobriu que o rapaz era inabilitado. “Assim que chegaram, os policiais perguntaram o que tinha acontecido. Nós então contamos o que presenciamos e a primeira pergunta deles foi: ‘teve vítima?’. A gente falou que não houve. Aí, apenas falaram que estava tudo certo. Nessa hora, meu primo respondeu que não estava nada certo e que precisávamos fazer um Boletim de Ocorrência. Os militares insistiram que, como não houve vítima, não precisava fazer o BO e que deveríamos apenas registrar o caso pela Delegacia Virtual. Meu primo disse que não aceitava e que necessitava do registro. Indignados, meu primo e meu pai foram até o quartel para prestarem a queixa. Naquele momento, os dois policiais colocaram o médico dentro da viatura, e o levaram embora. Pouco tempo depois, meu primo e meu pai encontraram os militares lá e questionaram sobre os procedimentos que seriam adotados, recebendo a reposta de que um Boletim de Ocorrência seria confeccionado. Posteriormente, os PM’s retornaram ao local em que se deram os fatos para esperarem que alguém retirasse carro. Desta forma, fomos ver o show e, no dia seguinte, ficamos sabendo que um caminhão pertencente a um empresário da cidade teria retirado o carro do médico do local”.
Diante dos fatos, a reportagem d’O Douradense entrou em contato com a Assessoria de Imprensa do 20° Batalhão de Polícia Militar de Pouso Alegre, ao qual o Destacamento de Turvolândia pertence, para saber os procedimentos adotados após a condução do médico que teria provocado a tentativa de atropelamento do grupo.
Em nota, o órgão relatou que, na referida data e horário, realmente, uma equipe foi acionada para atender um caso de acidente de trânsito sem vítima na Rua José Martins da Silva, no Centro, onde foi constatada uma colisão lateral entre um Ônix, conduzido por um homem de 28 anos, e um Honda HR-V, de propriedade de uma mulher de 44, que estava devidamente estacionado na via.
Ainda conforme a PM, durante a apuração dos fatos, verificou-se que o condutor do Ônix não possuía CNH e recusou-se a realizar o teste de alcoolemia, alegando ter ingerido bebida alcoólica momentos antes.
Também conforme o Boletim de Ocorrência confeccionado sobre o caso, testemunhas, um homem de 62 anos e outro de 40 (primo e pai da delatora citada anteriormente), relataram que o Ônix trafegava em alta velocidade e, ao retornar pela via, após um desentendimento, perdeu o controle direcional e colidiu contra o automóvel estacionado. Na batida, não houve feridos, apenas danos materiais.
Perante a situação, os policiais responsáveis pelo caso lavraram um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) por condução de veículo automotor gerando perigo de dano, conforme manda o artigo 309 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), além da lavratura dos AIT’s (Autos de Infração de Trânsito) correspondentes aos delitos cometidos.
Por fim, o documento informa que o automóvel pertencente ao profissional de Saúde foi liberado a um homem de 43 anos, devidamente habilitado, e o autor assumiu o compromisso de comparecer em audiência no Juizado Especial Criminal.
O caso foi repassado à Polícia Civil, que prosseguirá com as investigações.

