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GOLPISTAS DESVIAM MAIS DE R$ 120 MIL DA PREFEITURA DE SILVIANÓPOLIS

Ação criminosa desviou cerca de R$ 123 mil dos cofres do Executivo, no início de setembro. Valores desviados foram parar em contas de empresas diferentes e situadas em estados distintos. A Polícia investiga o caso, enquanto a atual Administração tenta reaver o dinheiro subtraído

Um notícia envolvendo o setor de finanças da Prefeitura de Silvianópolis, divulgada pela própria entidade, nesta segunda-feira (6), deixou toda a população estarrecida. A informação de que golpistas desviaram R$ 123 mil dos cofres públicos no início de setembro, após contato feito por um suposto funcionário da Caixa da Econômica Federal que pediu para a tesoureira do município atualizar alguns dados no sistema do banco, caiu como uma bomba na sociedade silvianapolense.

O fato foi comunicado pelo próprio Executivo, através de suas redes sociais, através de uma “Nota à população”. O documento, assinado subjetivamente pela Prefeitura, relata que, “no dia 02 de setembro de 2025, a tesoureira municipal recebeu ligação de pessoa que se apresentou falsamente como servidor da Caixa Econômica Federal. O interlocutor possuía dados sigilosos das contas do Município, circunstância que lhe conferiu aparente credibilidade. Foi informado à servidora que, em razão de atualização no software da instituição, seria necessário realizar o download de nova versão do sistema. Diante disso, a tesoureira entrou em contato com a agência da Caixa em Pouso Alegre, sendo confirmada, de forma genérica, a realização de atualização do sistema. Assim, o procedimento foi executado”.

Na nota, o Executivo também afirma que, “passado pouco mais de uma hora, ao tentar realizar pagamento pelo aplicativo do Banco do Brasil, a tesoureira verificou mensagem informando bloqueio de senhas por suspeita de fraude. De imediato, foi contatado o gerente geral da Caixa e os demais bancos em que o Município possui contas, solicitando o bloqueio preventivo, o que foi prontamente efetivado.

No dia 03 de setembro de 2025, o prefeito municipal (Lúcio Peixoto) e a Tesoureira compareceram à agência da Caixa Econômica, em Pouso Alegre, sendo informados de que, até aquele momento, não havia movimentação irregular e que as contas poderiam ser desbloqueadas, sendo também geradas novas senhas de acesso”.

O documento ainda revela que “em 17 de setembro de 2025, durante novo cadastramento das contas municipais vinculadas à Caixa, a tesoureira constatou movimentações financeiras não reconhecidas pela Administração, em três contas distintas, totalizando R$ 123.600,00”.

Então, “diante do ocorrido, a Prefeitura adotou as seguintes providências”:

  • Registrou de Boletim de Ocorrência (no dia 18 de setembro);
  • Comunicou a Caixa Econômica Federal formalmente, noticiando a fraude;
  • Instaurou processo administrativo interno para apuração e registro do ocorrido;
  • Encaminhou ofícios ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal, solicitando acompanhamento e providências cabíveis;
  • Encaminhou ofício à Câmara Municipal para conhecimento e acompanhamento.

Por fim, a nota ressalta que “a Assessoria Jurídica do Município já está adotando as medidas necessárias, com o objetivo de reaver integralmente os valores subtraídos, seja judicial ou extrajudicialmente. Paralelamente, a Prefeitura está reforçando as práticas de segurança cibernética, com orientações internas aos servidores que possuem acesso a informações bancárias e revisão dos protocolos de autenticação”.

Segundo levantamentos feitos pela reportagem d’O Douradense, o caso só foi divulgado e confirmado pela Prefeitura mais de um mês após sua ocorrência devido a um vazamento dos dados para órgãos de imprensa regionais, visto que a Polícia Civil já estava investigando os fatos e prezava pelo sigilo nos trabalhos.

Ainda conforme informações divulgadas nas redes sociais, o registro do crime junto à Polícia Militar foi feito 16 dias após a confirmação porque a Prefeitura tentou resolver o problema primeiramente com o banco, antes de acionar a Polícia Militar. Com a oficialização do golpe através do Boletim de Ocorrência, o MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) e o MPF (Ministério Público Federal) também foram oficiados para acompanharem o caso e tomarem as medidas necessárias cabíveis.

Destino do dinheiro desviado

De acordo com informações repassadas pela própria Prefeitura, as transferências foram feitas para três contas e empresas diferentes, situadas em três estados do Brasil: Ceará, Paraná e São Paulo.

O maior desvio foi do Fundo Municipal de Turismo, no valor de R$ 78.400,00, transferidos para a conta de uma microempresa atuante no ramo de bebidas, na Praça dos Emancipadores, Centro de Cubatão – SP. A última atualização cadastral da empresa na Receita Federal teria sido feita recente, no dia 17 de julho de 2025.

Outros R$ 25.400,00 foram transferidos da conta vinculada à Tarifa de Iluminação Pública do município para uma conta aberta em Fortaleza – CE, tendo um salão de beleza como destinatário. O detalhe é que a empresa foi aberta no final de agosto desse ano e teve a baixa dada na Receita Federal no dia 5 de outubro, três dias após o ataque hacker feito nas contas da Prefeitura. Ou seja, ficou aberta pouco mais de um mês, provavelmente, para receber apenas o dinheiro desviado.

A terceira transferência, no valor de R$ 19.800,00, foi feita de uma conta do Município com saldo de uma emenda parlamentar federal para um MEI (Micro Empreendedor Individual), atuante no ramo de “Promoção de Vendas”, de Curitiba – PR.

Caso parecido

No último dia 29 (segunda-feira), um golpe parecido foi aplicado na Prefeitura de Monte Sião. Porém, lá, o prejuízo foi bem maior: cerca de R$ 5 milhões foram desviados das contas do município. A Polícia Militar foi acionada e registrou o crime de furto, inicialmente, no valor de R$ 3 milhões. Dois dias após a constatação, o prefeito Juninho Zucato divulgou um vídeo nas redes sociais confirmando o golpe e atualizando o montante subtraído.

No caso de Monte Sião, o golpista se passou por um suposto funcionário de banco ao entrar em contato com o setor financeiro da Prefeitura. Na ocasião, ele alegou que faria a migração de números de contas do Município e precisava de ajuda com as chaves de segurança, sendo prontamente atendido pelo servidor público, que afirma não ter desconfiado de nada.

Após detectar as transferências irregulares das contas bancárias de vários departamentos ao fim do expediente, totalizando um prejuízo de, aproximadamente, R$ 3 milhões, funcionários do Executivo procuraram o gerente da agência bancária responsável pelas contas e a Polícia Militar para denunciar o crime.

Logo depois, o Executivo solicitou o bloqueio das contas comprometidas, alterou senhas de acesso, substituiu os discos rígidos de computadores e efetuou os demais protocolos de proteção dos sistemas municipais.

Uma sindicância foi aberta para apurar condutas e responsabilidades dos envolvidos.

Por fim, a Prefeitura também contatou a Caixa Econômica Federal para contestar administrativamente as transferências e tentar recuperar os valores.

Investigações

Conforme os dados obtidos pela reportagem d’O Douradense, a Polícia Civil segue investigando o caso, com apoio da Polícia Federal, e informações referentes aos casos citados nesta reportagem serão repassados em momentos considerados oportunos pelas autoridades.

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