Uma mulher de 24 anos e a filha dela de 3 viveram momentos de tensão e pavor, na manhã do último dia 8 (sábado), após de envolverem em um sinistro no quilômetro 67 da rodovia MG 179, no trecho conhecido como “Curva do Crídio”, em São João da Mata. Naturais e residentes em Campestre, as duas estavam viajando sentido a Aparecida – SP, quando sofreram o acidente. Ambas saíram ilesas.
De acordo com os dados obtidos pela reportagem d’O Douradense, por voltas das 7 horas, a motorista, acompanhada da filha, transitava pela autoestrada sentido ao Santuário de Aparecida, onde pegaria o marido, que havia participado de uma romaria dias antes. Chovia no momento.
No entanto, ao passarem pelo referido trecho, o Fiat Uno em que estavam entrou em uma aquaplanagem e rodou várias vezes na pista, até cair em um barranco na pista do sentido contrário ao que ia.
Logo após cair no “buraco”, em meio a um monte de bambus, a motorista conseguiu sair pela janela e rapidamente foi resgatar a filha, que estava na cadeirinha no banco de trás. Depois de tirar a menina do veículo, a condutora constatou que ambas não haviam sofrido ferimentos.
Rapidamente, moradores da região compareceram a auxiliaram as duas. Uma equipe do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel e Urgência) foi acionada e compareceu ao local para socorrer as vítimas, mas confirmaram que nenhuma delas tinha se machucado.
Depois de serem resgatadas e avaliadas, mãe e filha foram dispensadas para seguirem em frente. Um motorista de Belo Horizonte que passava pelo local e parou para oferecer ajuda às vítimas do acidente as levou até Machado, onde ficaram em um hotel até o restante da família chegar para buscá-las.
Milagre
Após o acidente, a motorista falou com a reportagem d’O Douradense sobre o acidente. Mostrando-se bastante emocionada devido ao fato de ter escapado com vida do sinistro, a moça relembrou como tudo aconteceu. “Essa data nunca mais será a mesma no meu calendário, pois foi o dia que eu e minha filha nascemos de novo. Saímos de casa antes das 6 horas, com destino a Aparecida do Norte. Íamos buscar o meu marido, que estava lá dando apoio para uma turma que foi de bicicleta. Saí bem cedo porque estava chovendo, e logo já pensei: ‘saindo mais cedo consigo ir devagar e chegar lá a tempo ainda’. E assim fomos… A pista estava lisa, então o cuidado era redobrado. Estávamos em São João da Mata, numa curva que tinha aquaplanagem, conhecida como ‘Curva do Cridio. Passei a aquaplanagem normalmente e, em questão de segundos, alguma coisas me jogou para a contramão, fazendo o carro rodar várias vezes na pista e capotar, parando numa moita de bambu. Vi a morte bem na minha frente. Naquela hora, a sensação era de desespero, de impotência de não conseguir fazer o carro parar e só torcer para ele não bater em nenhum veículo ou carreta que viesse do outro lado. Só queria que ele parasse de capotar em um lugar ‘seguro’. A moita de bambu estava ali na hora certa para segurar o carro, pois, após ela, era uma ribanceira. Poderia ter sido muito pior o capotamento”.
Ainda conforme a condutora, a situação vivida não sai de sua memória e será difícil esquecê-la. “Quando fecho meus olhos passa um filme de tudo o que aconteceu. Lembro certinho da minha filha gritando ‘mamãe’ enquanto o carro capotava. Que coisa horrível. Que pesadelo.
Eu estava de cinto e a minha menina na cadeirinha. Foi isso que nos salvou. Na hora que o carro parou de capotar e permaneceu na moita de bambu, ficamos de cabeça pra baixo. Consegui tirar o cinto, abrir o vidro do meu lado e sair por ele. Logo em seguida, consegui abrir a porta do lado em que minha filha estava e tira-la da cadeirinha o mais rápido possível. Nem sei como pensei tão rápido assim. Rapidamente, o pessoal que passava pela área e começou a parar e a oferecer ajuda para nós duas. Um morador residente por lá também foi muito solícito. Ele nos socorreu e chamou o SAMU. Depois de tudo e de voltar à realidade, só tenho que agradecer, pois, só de termos saído sem nenhum arranhão e não ter encontrado nenhum carro ou caminhão no caminho já somos vitoriosas”.


