Quem viveu nas décadas de 1980 e 1990 sabe muito bem o que é viver jogando futebol pelas ruas da comunidade em que se mora. Fazer golzinhos com chinelos, arrancar a “tampa da cabeça do dedão”, ralar os joelhos, chutar o chão em falso, criar as próprias regras e jogar em um espaço delimitado pelas guias ou meios-fios… Tudo isso faz parte do futebol de rua, ao qual a molecada sempre esteve acostumada.
Porém, com o passar dos anos, essa tradição foi sendo deixada de lado e praticada com raridade pela nova geração, que, diante do progresso em diversos setores da sociedade, se viram diante de novas possibilidades, como os treinos e jogos em quadras de escolas, púbicas ou até mesmo em campos municipais e particulares.
E foi com o intuito de resgatar as raízes e mostrar à nova geração como eram as coisas antigamente que o secretário de Esportes de Espírito Santo do Dourado, Aurélio Reis, organizou o primeiro Campeonato de Golzinho do município. Contando com o apoio do empresário e ex-vereador, Rogério Moreira, que, gentilmente, cedeu os troféus para premiar os vencedores, o atual responsável pelas categorias de base de futebol da praia recrutou seus alunos e organizou o torneio na Travessa Domingos Gianini, no Centro.
Divididos em duplas, os meninos foram para os embates. Na categoria Individual, na qual um jogador joga diretamente contra o outro, o grande campeão foi Luiz Miguel Silva. Na classe de 10 a 12 anos, os vencedores foram Paulo Vitor Lima e Igor Moreira. Na categoria de 13 a 16 anos, o título ficou com a dupla formada pelos jovens João Gabriel Rodrigues e Hugo Henrique Carneiro. Todos foram agraciados com troféus.
Após o torneio, o idealizador do projeto, Aurélio, falou sobre a iniciativa. “A primeira edição do nosso Campeonato de Golzinho foi um grande sucesso. Mais do que disputar partidas e conquistar troféus, o objetivo foi resgatar a verdadeira essência do futebol de rua: jogar descalço, sentir a bola nos pés, usar a criatividade, inventar jogadas e se divertir com os amigos. Foi emocionante ver nossas crianças vivendo esse momento simples, mas que representa muito da história de grandes jogadores que começaram justamente assim: na rua, com alegria e paixão pelo futebol. O sucesso do torneio foi tão grande que muita gente tem me procurado para perguntar como tive essa ideia e até querem utilizar o modelo em outras localidades. Fico feliz pela repercussão e por saber que as nossas raízes podem ser resgatadas com a mesma intensidade e paixão com que vivemos tudo aquilo. Que esta seja apenas a primeira de muitas edições. O futebol raiz continua vivo”.
Por fim, Aurélio agradeceu a todos os envolvidos. “Faço um agradecimento especial ao amigo Rogério, que acreditou na ideia e patrocinou os troféus, valorizando e incentivando nossas crianças. Também agradeço aos garotos, que abraçaram a ideia e vivenciaram uma experiência espetacular”.


