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A SAÚDE DA MENTE TAMBÉM PASSA PELA BOCA

Ciência e histórias de vida mostram que cuidar do sorriso é também cuidar da alegria, da memória e da vontade de viver

Em 1999, tive a honra de ser a primeira profissional de Saúde a conquistar uma coluna fixa no Jornal de Poço Fundo. Foram 15 anos de escrita contínua, sempre com muito carinho e dedicação, até que a vida me levou para novos caminhos: comecei a dar aulas, de Norte a Sul do país, e, por um tempo, não consegui mais conciliar a rotina intensa com aquela coluna que tanto amo. Hoje, com muita alegria e gratidão, voltei às páginas do Jornal de Poço Fundo e também abri o leque para colaborar, profissionalmente, com o Portal O Douradense. Confesso que estava ansiosa para conversar com vocês por aqui. Quero aproveitar este espaço para abrir um diálogo: envie suas dúvidas, sugestões e perguntas — seja pelo jornal ou pela nosso WhatsApp (informação contida no final do texto). Sua participação será muito bem-vinda e vai ajudar a construir cada novo texto. E, para marcar esse reencontro, escolhi um tema de grande importância: o Setembro Amarelo, mês dedicado à valorização da vida e à prevenção do suicídio, que, simbolicamente, foi encerrado neste terça-feira, mas se faz necessário ser abordado todos os dias, pois a vida é a nossa saúde são nossos bens maiores.

Saúde mental começa pela boca

O que muitas pessoas não sabem é que a saúde bucal e a saúde mental estão intimamente ligadas. Cada dente é um órgão vivo, com vasos, nervos e conexões profundas com o restante do corpo. Na visão da medicina chinesa, todos os meridianos de energia passam pela boca. Por isso, os dentes funcionam como “terminais” que refletem o equilíbrio do organismo.
Estudos de imagem avançada já comprovaram que a perda dental está associada a um maior risco de doenças sistêmicas, inclusive depressão, demência e Alzheimer.

Atenção! Quanto menor o número de dentes, maior a vulnerabilidade. Em outras palavras: ter todos os dentes não é apenas estética, é saúde, inclusive mental.
É com essa lente que vamos relembrar o Setembro Amarelo: entender como a boca conversa com o cérebro, com as emoções e com a vida.

Quando a dor da boca ecoa na mente

A depressão é uma das doenças mais marcantes do nosso tempo. E a ciência já mostrou que inflamações bucais, como a gengivite e a periodontite, liberam substâncias inflamatórias que circulam no corpo e afetam o cérebro, influenciando diretamente o humor.
Na prática clínica, vejo isso há décadas. Pacientes chegam com dor constante, noites mal dormidas, sem energia para o dia. Não raro me dizem: “doutora, não tenho mais vontade de nada”.

Quando tratamos a infecção e devolvemos o conforto, algo muda: o brilho volta ao olhar, porque saúde não se separa. Corpo e mente caminham juntos.

Você sabia que seus dentes agem como terminais neurais?

Mastigar não é apenas triturar alimentos, é também estimular o cérebro. Cada dente funciona como um terminal neural. Imagine cada dente seu como se fosse um interruptor que, à distância, manda energia para acender a luz que está no teto.
Quanto mais dentes perdemos, menos estímulos chegam ao sistema nervoso central. Pesquisas da American Academy Of Neurology apontam que a perda dentária aumenta em até 48% o risco de demência.

Lembro-me de um senhor que me disse: “doutora, desde que perdi meus dentes, parece que até minha cabeça ficou mais lenta”.
Ele não sabia, mas traduzia, em palavras simples, o que a neurociência já confirma. Quando conseguimos reabilitar sua mastigação, ele voltou a sorrir, a comer com prazer e até a memória parecia mais viva.

Quando o sorriso some, a vida perde cor

O sorriso é a expressão máxima da alegria. E a sua ausência rouba muito mais do que a estética. Já acompanhei pacientes que passaram anos escondendo a boca em fotos, evitando conversar, deixando de viver relacionamentos.
Uma senhora me disse: “Não beijo meu marido há anos, de vergonha dos meus dentes”.

Esse afastamento, que parece pequeno, vai crescendo até virar isolamento. E o isolamento é um dos maiores inimigos da saúde emocional, especialmente na terceira idade.
Por outro lado, quando devolvemos dentes fixos, quando o sorriso renasce, não é só a boca que volta à vida: é a autoestima, a vontade de se relacionar, de beijar, de viver.

Um convite ao auto cuidado

O Setembro Amarelo nos lembra que valorizar a vida é também cuidar da boca. Porque um sorriso saudável é energia, memória, autoestima e prevenção. E o autocuidado começa em casa, com gestos simples que fazem toda a diferença:
– Escovar os dentes após as refeições;
– Usar o fio dental todos os dias;
– Observar sangramentos na gengiva (eles não são normais e indicam inflamação);
– Beber bastante água para manter a boca e o corpo hidratados.
Quando a boca está inflamada, as bactérias não ficam só ali: elas caem na corrente sanguínea e chegam ao cérebro, ao coração, ao intestino. É por isso que a saúde bucal impacta diretamente a saúde do corpo inteiro.

Se você usa dentadura e sonha em voltar a ter dentes firmes e fortes, saiba que, hoje, temos opções de implantes e protocolos fixos que devolvem não apenas a estética, mas também a mastigação e a alegria de viver. Esse será, inclusive, um tema de futuras colunas.
A cada publicação, vou trazer aqui como a saúde dental se conecta com a saúde sistêmica, de forma clara e prática, para que você possa se cuidar melhor e viver mais.
Hoje, a ciência comprova, em artigos e pesquisas, o que sempre observei no consultório: a Odontologia nunca foi apenas sobre dente, sempre foi gente.
Se você se identificou com alguma dessas histórias, se sonha em recuperar o seu direito de sorrir sem medo, de mastigar com prazer, de voltar a beijar de olhos fechados, saiba que isso é possível. E se conhece alguém passando por isso, compartilhe esta matéria. Pode ser o primeiro passo para um recomeço.

Onde me encontrar

Atendo diariamente, de segunda a sexta-feira, na Clínica Odonto Saúde SPA, localizada na Rua Capitão Antônio Gonçalves, número 75, no Centro, em Poço Fundo – MG.
Os telefones para contato são: (35) 99891-6763, 99150-9661 e 3283-1662.
No Instagram, o perfil é o @drarafaellaaquino, onde compartilho informações, dicas práticas de saúde e também um pouco da minha rotina na clínica.
E toda sexta-feira, ao meio-dia, estou ao vivo no programa “Fala, Doutora”, na Rádio Gimirim FM, na sintonia 105,9.

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